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A casa sempre vence: o abismo das bets e o Brasil que aposta tudo

  • Foto do escritor: Samuel Elom
    Samuel Elom
  • 14 de mai. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 4 de jun. de 2025

Em um Brasil marcado pela desigualdade, os jogos de azar online, apelidados de bets, se tornaram febre. Basta um clique para que milhares de jovens entrem em plataformas que prometem enriquecer em segundos, mas escondem uma lógica perversa: no fim, é sempre a casa que vence.

(Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)
(Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

A lógica da manipulação: como as bets te viciam

Essas plataformas são desenhadas para ativar os mesmos gatilhos mentais dos cassinos físicos: reforço intermitente, feedback imediato, e a falsa sensação de controle. As cores vibrantes, os sons de vitória, os bônus e giros grátis alimentam a ilusão de que o jogador está no comando. Mas a verdade é que o sistema é feito para te manter jogando... e perdendo.

"Quando você ganha, sente que é inteligente. Quando perde, sente que quase ganhou. Você nunca para de tentar." — Lucas (nome fictício), 25 anos, viciado em bets há 2 anos.

O rosto da desgraça: influencers e o marketing do vício

Nomes como Nobru, Jon Vlogs, Sheviii2k e até ex-jogadores como Adriano Imperador já estamparam campanhas de plataformas de apostas. Em suas redes, apostam ao vivo, mostram supostas vitórias e convidam seguidores (muitos menores de idade) a usar cupons que rendem comissão.

"É como ver seu ídolo te dizendo pra pular num poço. Mas com neon piscando em volta" — comenta Pedro, 19, que perdeu R$ 4.800 em um mês.

Influenciadora Virginia Fonseca em audiência na CPI das Bets
Influenciadora Virginia Fonseca em audiência na CPI das Bets

O Brasil que aposta tudo: dados alarmantes

Segundo levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgado em 2023, cerca de 3,5 milhões de brasileiros já apresentavam sinais de vício em jogos de azar online. Entre os mais afetados estão jovens entre 18 e 30 anos, justamente os mais impactados pelo desemprego e pela ansiedade econômica.


Em 2022, as plataformas de apostas movimentaram mais de R$ 12 bilhões no país. E com a legalização das bets online, essa cifra tende a explodir ainda mais.



Especialistas alertam: é vício, não lazer

O psiquiatra e especialista em comportamento compulsivo Dr. Daniel Barros, em entrevista à Folha de São Paulo, afirmou:

"A aposta online oferece dopamina imediata, reforça comportamentos de risco e cria uma falsa sensação de controle. É um terreno fértil para o vício, principalmente entre os jovens."

Para Barros, o problema não está no jogo em si, mas na estrutura viciante e na falta de controle, agravada pela glamurização nas redes sociais.

Bets no Brasil: Jovem larga emprego, perde casa e tira a própria vida após ficar viciado em apostas

O ciclo do vício: da adrenalina à vergonha

Muitos apostadores relatam um ciclo repetitivo: a euforia da possível vitória, o arrependimento pela perda, a tentativa de recuperar, e o desespero. Para alguns, isso termina em dívidas, rompimentos familiares, depressão e em casos extremos, suicídio.

"Comecei com R$ 10. Ganhei R$ 200 em uma hora. Depois disso, nunca mais parei. Perdi meu salário, pedi empréstimo, menti pra minha mãe. Tô tentando sair, mas ainda recebo notificação da plataforma todos os dias." — depoimento anônimo de um participante de grupo de apoio em São Paulo.

O silêncio das plataformas e o barulho da grana

Apesar da explosão do problema, as empresas por trás das bets seguem sem regulação rígida. Patrocinam times, campeonatos, canais no YouTube e lives na Twitch. O lucro fala mais alto e enquanto isso, vidas são consumidas na roleta do vício.


O jogo mais perigoso é achar que você vai ganhar

O que parece entretenimento pode ser um veneno disfarçado. Não se trata de moralismo, mas de um alerta urgente: o Brasil está se tornando um país onde o desespero vira aposta, e o lucro alheio se alimenta da falência emocional e financeira de uma geração.


O Todoz vai seguir falando disso. Porque enquanto fingirem que é só "joguinho", a gente sabe que é um esquema.


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