Neonazismo latino abaixo da linha do Equador
- Samuel Elom
- 29 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 12 de ago. de 2025
O neonazismo não é uma ameaça distante ou restrita a livros de história. Na América Latina, especialmente no Brasil, grupos de extrema direita que flertam com o nazismo têm ganhado força, disseminando ódio e violência.
Este texto explora três desses movimentos ativos em 2025, seus crimes, ideologias e o absurdo de sua existência em um continente marcado pela diversidade.

A ascensão da extrema direita na América Latina
Ariel Goldstein, doutor em Ciências Sociais e autor de "La reconquista autoritaria", destaca que não existe um "cordão sanitário" eficaz na América Latina contra as direitas radicais.
Ele observa que figuras como Jair Bolsonaro e Javier Milei compartilham características simbólicas do pós-fascismo, utilizando principalmente violência simbólica através de redes sociais para desumanizar adversários.

Crimes cometidos por grupos fascistas no Brasil
O neonazismo no Brasil não é apenas ideológico; é também violento. Em dezembro de 2022, um estudante de 16 anos matou quatro pessoas em escolas em Aracruz (ES), vestindo farda militar com uma braçadeira com símbolo nazista. Ele havia se radicalizado através de canais no Telegram que participavam do coletivo conhecido como Terrorgram.
Além disso, entre janeiro de 2019 e novembro de 2020, foram abertos 159 inquéritos pela Polícia Federal por apologia ao nazismo, número que supera o total de 143 investigações abertas ao longo de 15 anos, entre 2003 e 2018.

A causa ariana e a falta de lógica de um latino ser neonazista
É paradoxal que indivíduos na América Latina, região marcada pela miscigenação, adotem ideologias que pregam a supremacia branca.
O neonazismo exalta a "raça ariana", conceito que exclui a maioria da população latino-americana. A adesão a essas ideologias por parte de latinos revela uma profunda alienação e desconhecimento histórico.
Vicky Vanilla: o rosto do neonazismo tropicalizado
Um dos casos mais emblemáticos da contradição do neonazismo na América Latina é o de Vicky Vanilla, pseudônimo de Victor Stavale.
Sua trajetória tomou um rumo controverso. Após se declarar convertido ao cristianismo, Vanilla passou a se identificar como pastor evangélico e, posteriormente, iniciou uma militância fervorosa em nome de causas neonazistas.
Ele lidera um grupo com mais de 1.800 membros no Telegram, onde dissemina conteúdo extremista e reafirma a intenção de fundar um partido neonazista no Brasil .
Vanilla utiliza símbolos nazistas, como o "Sol Negro", e compartilha discursos de ódio, incluindo ataques racistas e antissemitas. Em vídeos, ele sugere que seus seguidores leiam "Mein Kampf", de Adolf Hitler, e obras de David Duke, ex-líder da Ku Klux Klan.
Além disso, já foi visto vestindo camisetas com símbolos nazistas e fazendo saudações nazistas em vídeos publicados nas redes sociais.








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